Arquivo do dia: dezembro 7, 2008

Voltando e indo para o Campo

Me pediram para escrever sobre a minha experiência missionária em julho deste ano que perdurou até o fim de agosto, durante as Olimpíadas de Pequim. Fui para a China, acompanhando uma equipe do ministério Atos de Justiça, em parceria com a Missão Horizontes. O Atos de Justiça é liderado pela Lílian Abucater, que também é coordenadora do curso de Missões do CTMDT, onde trabalho.

Sem dúvida fui marcada de diversas formas. Sempre achamos que nós que iremos abençoar, porém Deus mudou bastante esse meu conceito. Pensava assim pois fui para um local onde aconteceu um terremoto muito grave em maio deste ano. O terremoto arrasou a região, destruindo escolas, lares, além de ter gerado muitas vítimas. Contudo, ao chegar lá, me deparei com pessoas sorridentes e corajosas. Essa situação nos ensinou. Sinceramente, eu não tinha essa imagem dos chineses, que foram tão cordiais.

Nosso trabalho aconteceu em toda a China (eram quase 100 missionários que foram subdivididos em pequenos grupos) , norte, sul, leste e oeste. Fomos para uma vila que foi uma das mais afetadas, e não sabíamos muito o que fazer. Pedimos a direção de Deus para que Ele preparasse o “terreno espiritual” para que nós trabalhassemos no “natural”. A estratégia que o Senhor nos deu foi sair pelas ruas de manhã fantasiados com perucas, apitos, atraindo as crianças. Elas rapidamente nos seguiam para uma praça onde desenvolvemos os trabalhos. Fizemos pinturas, artes em balão, teatros, danças, dinâmicas, jogos esportivos, sempre aplicados a um princípio cristão. Não podíamos falar diretamente de Jesus. Evangelizar crianças na China é um crime federal. Enquanto fazíamos as dinâmicas orávamos pelas crianças em espírito e as tradutoras aproveitavam a oportunidade para conversar com as mães.

Essa questão da perseguição aos cristãos é tão séria que só podíamos levar uma Bíblia de uso pessoal na bagagem. Aliás, a perseguição acontece a qualquer grupo que possa vir a ameaçar a ordem e autoridade do governo chinês. Por causa das Olimpíadas, que acabaram abrindo as portas da China para missionários de todo o mundo, as autoridades tinham medo do que podia acontecer. E realmente aconteceu! As nossas dinâmicas com as crianças, que duraram uns cinco dias, sempre atraíam mais pessoas. Era um número crescente! E às vezes policiais compareceram para ver o que estávamos fazendo. Era um trabalho de muito risco. As igrejas perseguidas existem porque as chamadas “igrejas oficiais”, que são catalogadas pelo Estado, não podem pregar sobre algumas partes da Bíblia, como por exemplo, a volta de Cristo. Essa mensagem significa que existe alguém maior do que eles.  Falar sobre o fluir do Espírito Santo também não é permitido. Mas as igrejas perseguidas não se curvam a essa determinação. E são os membros dessas igrejas, os chineses que moram ali, que realmente sofrem as ameaças constantes pela sua fé. Se um turista é pego evangelizando, ele é preso e deportado. Mas a punição para o cidadão é muito diferente e muito pior. Por isso que a atitude de um cristão estrangeiro ali é muito séria, porque pode comprometer um trabalho de anos desenvolvido pelos próprios chineses e por missionários a longo prazo. Por exemplo, fomos orientados a não panfletar. Um grupo estrangeiro o fez e a polícia chegou até o casal local que era o contato. Eles foram presos e torturados por causa da imprudência desses irmãos. Definitivamente o nosso grupo não queria criar esse tipo de situação, então respeitamos o povo e buscamos ao Senhor pelas estratégias corretas.  As autoridades possuem um controle de toda a cidade, mas Deus controla todas as coisas. E assim tivemos a alegria de ver muitas crianças se convertendo a Cristo.

A minha experiência com a dança na China foi bem diferente. Fui para fazer várias coisas, não só dançar. Ajudamos até a decorar uma escola com temas bíblicos!

 Aliás, dançar foi o que menos fiz. Montamos algumas coreografias bem brasileiras para chamar atenção das pessoas, criando um momento cultural de descontração. O mundo em geral ama a cultura brasileira. Em alguns momentos me foi pedido também para dar oficina de samba para os adultos chineses. Isso quer dizer: mulheres, homens e até idosos. Todos queriam aprender a sambar! Por meio destes momentos eu criei sequencias adorando a Deus, profetizando que aquelas pessoas que estavam fazendo a minha aula, copiando meus gestos, estariam um dia reamente adorando a Jesus. No inconsciente era isso mesmo que eles estavam fazendo. A dança profetiza.

Voltando um pouco no tempo, posso dizer que momentos antes de embarcar para a China me veio muito medo. Mais do que isso: a certeza de que eu não iria voltar, que eu iria morrer ali. Um sentimendo de saudosismo do Brasil, dos meus amigos e família. Sem entender muito bem esse sentimento procurei a Cléo Russo para conversar. Ela me disse que normalmente, antes de uma viagem missionária desse tipo, às vezes Deus nos dá uma certa identificação com os obreiros locais para realmente compreender e orar. E é tão interessante porque depois que ela me falou isso, outras pessoas que estão indo para o campo compartilharam desse mesmo sentimento.

Termino esse relato encorajando cada um de vocês a buscar a servir a Deus não só por meio da dança, o que Ele também pode fazer. Não fui para essa missão na China para dançar. E isso me alegrou muito porque pude fazer outras coisas, mas ainda assim Deus também me usou por meio do meu talento.

Muitas vezes as pessoas quando nos vêem falando sobre essas viagens a outros países não imaginam, mas eu arquei com todos os meus custos. Eu investi todas as minhas economias para servir ao Senhor em outra nação e abençoar aquelas vidas. Eu sabia que Deus estava me chamando para ir, e ir não somente com meu corpo, mas também com as minhas finanças, com o meu dinheiro. E o mais interessante é que assim que eu voltei eu recebi uma oferta, que é exatamente o valor para a minha próxima empreitada missionária. E lá vou eu de novo para o campo: com meu corpo e minhas finanças.

Hoje, termino esse texto e vou novamente fazer as malas. Dessa vez são três países que me esperam: Itália, Alemanha e Holanda. São países muitas vezes criticados quando as pessoas falam que vão ali para fazer missões. Afinal a Europa é um continente rico. Mas Deus quebrantou o meu coração para ver com os olhos dEle. Quando me convidaram para integrar essa equipe, eu tinha também a possibilidade de servir na África, que logo eu quis ir. Afinal de contas era um continente pobre, necessitado. Mas Deus, por meio de Jeremias 1, me direcionou a reconstruir os muros das cidades dos “meus pais” – pais na fé. A Europa está necessitada espiritualmente. Além do mais, quando fui conversar com o líder dessa equipe que estou acompanhando, ele me mostrou que o grupo que ia para a África estava mais completo. Lá eu iria ajudar de uma forma mais geral, porém na Europa de uma forma mais específica com as artes. 

Bom, isso é o que veremos! rs

Isa Coimbra

A Arca de Noé! - Nova decoração da escola!

A Arca de Noé! - Nova decoração da escola!

Leão e o Cordeiro!

Atividade de pintura na praça.

Atividade de pintura na praça.

Senhoras chinesas

Tendas nas ruas usadas como casas após o terremoto.

Tendas nas ruas usadas como casas após o terremoto.

Enquanto brincávamos com as crianças, as mães esperavam atrás.

Enquanto brincávamos com as crianças, as mães esperavam atrás.

Mais atividades! Usamos o principio da unidade.

Mais atividades! Usamos o princípio da unidade.

dsc09770

Preparando a nova decoração para a escola.

Preparando a nova decoração para a escola.

Carol e eu.

Carol e eu.

Banheiro tipico oriental.

Escola em reconstrução.

Escola em reconstrução.

Anúncios